Qual era a cor dos olhos e da pele dos neandertais? Veja o que diz a ciência

Equipe de redatores Mundo Igual

25/02/2026

Apesar de extintos há cerca de 40 mil anos, os neandertais continuam sendo objeto de intensas pesquisas científicas. Entre os muitos mistérios que os cercam, um dos mais debatidos é: como era sua aparência física? Mais especificamente, qual era a cor dos olhos, dos cabelos e da pele desses antigos hominídeos?

Nos últimos anos, estudos genéticos avançaram na tentativa de reconstruir essas características com base em fragmentos de DNA. Os resultados indicam que não havia um padrão único de aparência entre os neandertais. Pelo contrário: havia uma grande variação fenotípica, ou seja, eles podiam apresentar diferentes tons de pele, cabelo e olhos, dependendo da região e das condições ambientais em que viviam.

Neandertais: quem foram eles?

Os neandertais (Homo neanderthalensis) surgiram há aproximadamente 400 mil anos e viveram na Europa e em partes da Ásia até desaparecerem por volta de 40 mil anos atrás. Durante muito tempo, acreditava-se que eram uma espécie menos desenvolvida que os Homo sapiens, mas essa visão tem sido revisada. Eles fabricavam ferramentas, dominavam o uso do fogo e até enterravam seus mortos.

Graças aos avanços da genética, sabemos hoje que houve cruzamento entre os neandertais e os Homo sapiens. Como resultado, cerca de 1% a 2% do DNA da maioria das populações atuais fora da África é de origem neandertal. Essa herança genética tem relação com características como o sistema imunológico, sensibilidade à dor e até a cor da pele e do cabelo.

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Como é possível saber a aparência de seres extintos?

Qual era a cor dos olhos e da pele dos neandertais? Veja o que diz a ciência
Através de estudos e pesquisas é possível fazer descobertas surpreendentes sobre os nossos antepassados.

Determinar a cor da pele, dos olhos ou dos cabelos de hominídeos extintos há milhares de anos seria impossível sem o estudo do DNA antigo. Com o sequenciamento genético de restos fósseis preservados, os cientistas conseguem identificar variantes de genes que, nos humanos atuais, estão associadas a determinadas características físicas.

Um dos genes mais estudados nesse contexto é o MC1R, responsável por controlar a produção de melanina, pigmento que dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. Em humanos modernos, certas variantes desse gene estão associadas ao cabelo ruivo e à pele clara.

Em 2007, um estudo publicado na revista Science identificou uma mutação rara do gene MC1R em amostras de DNA de dois neandertais, sugerindo que alguns indivíduos poderiam ter cabelo ruivo e pele clara. No entanto, essa mutação não é exatamente a mesma que causa o ruivo em humanos modernos, e não foi encontrada em outros genomas neandertais desde então, o que leva os pesquisadores a acreditarem que, se existiam neandertais ruivos, eram minoria.

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O que dizem os estudos mais recentes

Pesquisas recentes do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, ampliaram o entendimento sobre a diversidade genética dos neandertais. Em um estudo publicado na revista American Journal of Human Genetics (2018), cientistas analisaram variantes genéticas presentes em humanos modernos que são herdadas dos neandertais e observaram como elas afetam a coloração da pele, dos cabelos e dos olhos.

De acordo com a pesquisa, os alelos herdados de neandertais contribuem tanto para tons mais claros quanto para tons mais escuros. Isso significa que, assim como acontece com os humanos atuais, os neandertais também apresentavam uma ampla gama de tonalidades, influenciadas por fatores como a região em que viviam e o clima local. Regiões com menos incidência de luz solar, por exemplo, tendem a favorecer a seleção de pele mais clara, por facilitar a síntese de vitamina D.

Janet Kelso, uma das autoras do estudo, destacou que os neandertais não tinham um fenótipo único. “Assim como os humanos modernos, havia muita variação”, afirmou à revista Cell. Essa diversidade está diretamente relacionada ao fato de que os neandertais se espalharam por ambientes distintos ao longo de centenas de milhares de anos, do sul quente da Europa até regiões frias da Ásia Central.

O fato de carregarmos fragmentos de DNA neandertal nos conecta diretamente com esses antigos parentes, revelando que a história da humanidade é muito mais entrelaçada do que se pensava.

Estudos sobre os neandertais também levantam reflexões sobre diversidade e identidade. A ideia de que não havia um “tipo físico padrão” entre eles reforça a noção de que a variação genética sempre fez parte da trajetória humana.

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